O SEMINÁRIO DE MACEIÓ
Primeira Instituição de Ensino Superior do Estado
A intrepidez, persistência e o espírito empreendedor de Dom Antônio Manoel de Castilho Brandão (1° Bispo da Diocese de Alagoas) foram logo percebidos quando se decidiu levar a cabo a fundação de um Seminário para a nova Diocese. Foi na cidade de Alagoas, antiga capital do Estado (atual Marechal Deodoro), que encontrou as primeiras condições para esse intento. Decidiu fazer do antigo Convento de São Francisco, poucos meses depois de sua posse, no dia 15 de fevereiro de 1902, uma casa de formação para os futuros sacerdotes. O edifício estava desativado desde 1839[1], deteriorado e em péssimo estado. Essas dificuldades não conseguiram extinguir o sonho de nosso prelado.

Dom Antônio Brandão presidiu a cerimônia solene de instalação. Na ocasião, havia grande número de sacerdotes de Alagoas e da Diocese de Olinda, seminaristas alagoanos que ainda estudavam no Seminário de Olinda[2], autoridades e famílias da antiga capital e do Estado de Alagoas. Deste modo, podemos afirmar juntamente com o professor Fernando Medeiros (2007,p. 46) que: "[...] já no início do séc. XX encontravam-se funcionando em Alagoas dois cursos superiores (Filosofia e Teologia)".
O primeiro reitor do Seminário foi o Padre Jonas Taurino e o vice-reitor, Alfredo Manoel da Silva. Durante o período em que o Seminário funcionou na cidade de Alagoas, Dom Antônio Brandão tinha que atravessar a lagoa Manguaba através de canoas; o transporte não era seguro, tinha que contar sempre com a coragem de quem se decidia a partir de Maceió até Alagoas. Por essas dificuldades de locomoção, nosso Bispo não podia dar uma assistência ininterrupta e contínua, mesmo não deixando de sempre procurar estar em contato com os formadores e os seminaristas, visitando o Seminário com certa frequência. Mas as atividades do Seminário na cidade de Alagoas duraram somente dois anos.

O nosso primeiro bispo, com seu espírito dinâmico, já buscava na cidade de Maceió uma área para a edificação definitiva do Seminário. Ainda em 1902, Dom Antônio Brandão encontrou numa vasta chácara no Alto do Jacutinga (hoje, bairro do Farol) as condições favoráveis para a concretização de seu ideal. O terreno era quase totalmente despovoado, cercado de muitas árvores, quase em meio a uma floresta que deveria ser desbravada, mas também desfrutava de uma paisagem privilegiada e o mar se mostrava generoso aos que corajosamente decidiam subir o morro.
Sem perder tempo, Dom Antônio adquiriu o terreno que à primeira vista poderia não parecer o mais adequado, mas para um homem de forte intuição e com olhos que enxergavam além do que se podia, este lugar foi o preferido. Os limites do terreno na época em que Dom Antônio o adquiriu eram exatamente: ao Norte, até atrás das casas da Avenida Princesa Isabel; a Leste, até a margem direita do riacho Reginaldo; ao Sul e Sudeste, com o terreno do Sr. Oton Correia; ao Sudoeste, até o terreno da família Nobre; ao Noroeste, até o terreno do Dr. Espíndola Machado. O terreno media 64.246 metros quadrados. Percebe-se, claramente, que nosso prelado comprou o terreno a diversos proprietários.
A edificação do Seminário de Maceió foi concluída em dois anos. No dia 15 de fevereiro de 1904, o sonho de Dom Antônio tornou-se realidade e o trabalho de formação dos futuros sacerdotes foi transferido da antiga cidade de Alagoas para Maceió, para um imponente edifício no Alto do Jacutinga. Vale ressaltar que o próprio Dom Antônio Brandão participou ativamente dos trabalhos de aquisição do terreno e da edificação do prédio, também com contribuições financeiras retiradas de seus próprios recursos. Sobre o processo de construção do Seminário em Maceió, o Padre Júlio Albuquerque (1952,p. 29) escreveu o que presenciou entre as atitudes de Dom Antônio. Observemos este vivíssimo e fresco relato: "Parece que estou a ver, muitas vezes após uma suarenta caminhada do primeiro Paço Episcopal (Praça dos Martírios) ao Jacutinga, guarda-sol aberto sob a soalheira escaldante do meio-dia, a discutir com pedreiros e carpinteiros, fiscalizando a obra do prédio monumental que havia de ser sementeira fecunda [...]."

O Seminário, bem consolidado, fez com que aumentasse o número de vocações – como já previa o nosso prelado. Os seminaristas chegavam de diversas regiões, inclusive de outras Dioceses, fato que se tornou tradição no Seminário de Maceió. Sobre o afinco de Dom Antônio na obra de edificação do Seminário, o Padre Júlio de Albuquerque (1952, p. 29) relata que: "Por ele tudo fez. Despojou-se de suas haveres, esbanjou sabiamente as economias, sacrificou o descanso, deu férias ao conforto, para que nada faltasse ao que tinha em mente".
Ainda sobre a obra de fundação do Seminário de Maceió e da assistência dada a tal intento por Dom Antônio Brandão, trouxemos o parecer de Dom Adelmo Machado relatado no O Semeador [3] de 8 de novembro de 1989: "Nada fugia dos olhos e do coração deste apóstolo, desde os exames de gramática latina até o canto das horas canônicas do Ofício. É por isto que o Seminário tem, no primeiro Bispo de Alagoas, alguma coisa mais do que um simples fundador."

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[1]. De abril de 1821 a 1839, o convento franciscano, em sua parte térrea, tinha funcionado como quartel de um batalhão de caçadores. Exatamente no período de transição da capital do Estado para Maceió.
[2]. O Seminário de Olinda foi berço de destacados homens da Igreja e da sociedade da época, homens que fizeram a História Eclesiástica e a História dos primeiros séculos do Brasil. Era lá que grande parte dos sacerdotes no Nordeste buscavam sua apurada formação, considerado por muitos como centro de difusão da mentalidade iluminista, de grande cunho filosófico. Inaugurado em 1800 por Dom José Joaquim da Cunha de Azevedo Coutinho (1799-1806), foi um dos mais prestigiados seminários do Brasil.
[3] Jornal da Arquidiocese de Maceió
